Blog do LabHum

Laboratório de Humanidades



Duas Viagens, por Laise Nucci

 

Trabalho de conclusão de disciplina

Foram duas viagens impressionantes. A primeira, o regresso, a segunda, uma viagem sem volta. Tanto uma quanto a outra, viagens de transformação.

Ao acompanhar Ulisses em sua Odisséia, a experiência foi justamente poder perceber o quanto a ausência pesa e se faz presente. Ulisses tinha um objetivo, sabia onde queria chegar, tinha foco.

Durante todo tempo em que buscava regressar, encontrava forças para superar os obstáculos justamente na certeza de que tinha quem esperava por ele. Existia o amor que encontrava correspondência na esposa e no filho.

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Experiência no laboratório de humanidades, Maria Lúcia Marcondes

 

2º Semestre de 2010

Esse foi meu primeiro semestre no grupo de humanidades. A proposta de discutir aspectos humanos , principalmente associados a sentimentos e emoções parecia interessante, mas de longe eu não entendia muito bem como isso seria possível apenas lendo obras literárias e deixando de lado todas as teorias que conhecemos, principalmente as psicológicas que estão dentro da minha área de atuação profissional.

A proposta de trabalhar a partir daquilo que surge nas discussões, parecia tarefa difícil, pois o único material a priori é a própria obra a ser lida. Durante as discussões, observei os sentimentos despertados em mim, no grupo e aqueles demonstrados pelos personagens do livro.

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Reflexões sobre o livro O Retrato de Dorian Gray, por Helena H. V. Tângari

 

Em todas as sextas que participei, adquiri ou confirmei várias idéias que surgiram nas discussões. Surgiram muito assuntos, como o poder das palavras, sedução, beleza, venda ou perda da alma, solidão, a arte, experimento x experiência, influências, culpa, e diversos outros temas.

No ultimo encontro questionou-se bastante porque Dorian culpava Basílio pelo seu proprio comportamento, e para mim enxergo Dorian como qualquer outro ser humano, a maioria dos indivíduos querem culpar alguém por suas tragédias e momentos em que se perdem o controle, querem achar a causa do que ocorreu, e porque isso acontece?

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O que transforma/reforma é o LabHum e não o Livro em si..., por Laise Nucci

 

Quando comecei a lei a Odisséia, de imediato pensei na minha história e não podia ser diferente.

Enquanto a história é escrita, não é possível ter uma visão do porquê as coisas acontecem como acontecem. Enquanto realizamos a leitura não é possível modificar o que já está no papel, mas podemos pensar na história que estamos escrevendo neste momento. E então lembrei daquele livro chamado ZOOM, que vai mostrando diversas dimensões.

E o enquanto ficou muito forte em minha mente.

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Minha Pequena Odisséia, Por Licurgo de Carvalho

Venci a minha guerra de Tróia. No embate fui meu próprio cavalo de pau. Arranquei das entranhas arsenais que eu nunca imaginara. Armaduras de ferro, lanças pontiagudas, venenos. Exército sanguinolento eu fui. Pilhei meus próprios recursos, violentei convicções, vivi na mixórdia. Não me chamo Ulisses, nem de Penélopes eu gosto. Não luto por Helenas, mas tenho nome espartano.

Espartano que sou inicio o caminho de volta. À minha Ítaca chegarei, ainda que outros dez anos se cumpram. Não me importa que me tentem com a imortalidade, não aceitarei me tornar desumano. Que me tentem vencer pelo esquecimento, não apagarei aquele que sou. Que sereias tentem me atirar no abismo dos mortos, não ouvirei as suas seduções. Certo, retornarei a minha casa, expulsarei invasores, reinarei até o fim.

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Eu não quero ser Praskóvia/Viajando pela Terra dos homens

 

Estes dois textos foram produzidos por alunas do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco. São testemunhos resultantes da experiência do Laboratório de Humanidades aplicados naquela universidade pela Profa. Rozélia, participante do LabHum-UNIFESP e primeira coordenadora de uma "filial" do LabHum em outras paragens. Profa. Rozélia aproveitou a disciplina de "Deontologia" para introduzir a Literatura no âmbito da formação médica e os resultados podem ser observados aqui. Estes testemunhos foram dados oralmente no Primeiro Seminário Humanização em Saúde - a Formação Humanística do Médico do Século XXI, realizado na UFRPE, Recife, nos dias 08 e 09 de Setembro de 2010. Abaixo os dois textos:

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Luz no pântano, por Jacqueline Sakamoto

 

Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo: perguntou-me: “O que é que você leu?” Respondi: “Dostoievski.” Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: “Que mais?” E eu: “Dostoievski.” Teimou: “Só?” Repeti: “Dostoievski.” O sujeito aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada. Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski. Ou uma única peça de Shakespeare. Ou um único poema não sei de quem. O mesmo livro é um na véspera e outro no dia seguinte. Pode haver um tédio na primeira leitura. Nada, porém, mais denso, mais fascinante, mais novo, mais abismal do que a releitura.[2]

Compartilho com Berdiaeff a seguinte posição: “Desde sempre, dividiram-se para mim os homens entre os dostoievskianos e aqueles a quem o espírito de Dostoievski era estranho”[3]. E se “Há uns poucos livros totais, [...] que nos salvam ou que nos perdem.”[4] meu romance total, que permanece em minhas veias é Os Demônios[5]. Ou ainda, permanece nas “dobras da memória”[6] confundindo e trazendo luz, como o conhecido e o surpreendentemente novo, e “que nunca terminou de dizer aquilo que tinha de dizer”[7].

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Tinta Russa, e o Método de Deus, por Licurgo de Carvalho

 

O Sonho de um Homem Ridículo, Os Demônios, A Morte de Ivan Ilitch. Passei os últimos três meses assim, entre Fiódor Dostoiévski e Lev Tolstói. Roleta russa, montanha russa, com a alma russa. Ou seja, meio que ajoelhado, um tanto espremido, na porta estreita de regiões abissais.

Nunca uma literatura havia me pintado assim. Tanto que me sinto como folha de papel de arroz japonês, raro e caríssimo, colorido a grossas camadas de tinta negra e vermelha. E a imagem que se criou em mim é bela, ainda que a tintura escorra em sulcos verticais mais ou menos profundos, quase rasgando minha tecedura de papel. Não que eu me reconheça frágil, apenas um tanto raso para compreender certos matizes da alma humana: os russos querem me deixar cicatrizes, eu sei, querem se fazer indeléveis.

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LabHum - Uma turma especial

 


Reflexões do Monitor - Por Yuri Bittar
O Laboratório de Humanidades é um "curso" muito especial, com participantes incríveis! Aqui se aplica um conceito de ensino-aprendizagem totalmente inovador, usando a literatura e a discussão livre como fatores e uma formação humanista e humanizada. Fico muito feliz com os resultados! O LabHum é meu trabalho, minha pesquisa e onde encontro meus amigos!


Fotografia feita na última reunião, em 19/11/2010, coordenada pelo Prof. Dr. Rafael Ruiz

Agradeço a todos os presentes!

 

 

A importância do Laboratório de Humanidades

Reflexões do Monitor - Por Yuri Bittar

Buscando visões externas sobre o LabHum procurei ter um referencial sobre a importância da atividade e portanto da importância desta ser estudada. Fiz essa avaliação sob diferentes aspectos e para ter uma idéia da visão dos próprios participantes solicitei a eles, via grupo de discussão, que respondessem a questão “Qual é, para você, a importância do Laboratório de Humanidades?”. Leia abaixo algumas respostas:

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O Laboratório de Humanidades: uma experiência de afeto, por Licurgo Lima de Carvalho

 

Nietzsche escreveu que nenhuma ideia seria suficientemente confiável se não concebida durante longa caminhada. É que o filósofo romântico prezava o vigor, a potência, embora ele mesmo tivesse uma saúde frágil. E dizem que Nietzsche admirou, até o fim, Montaigne e Goethe, grandes sensuais que não temiam o pecado. Ele desprezava a covardia, sobretudo as morais.

E eu, também um caminhante, dou créditos a Nietzsche: sofro de inspirações justamente quando percorro, a pé, longos trajetos. Mas é especialmente na sexta-feira, dia do Laboratório de Humanidades, que meus pensamentos mais agudos tocam “a ponta afiada do infinito” e dançam alegremente com os “seres moventes do céu”, nas imagens do poeta Baudelaire, eterno inspirador desse blog.

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A Tragédia, o Bode, e Macbeth por Licurgo de Carvalho

No “Laboratório de Humanidades” estamos terminando o ciclo Macbeth. Depois da trilogia “O Senhor dos Anéis” veio Shakespeare a me reconciliar com a concepção trágica da vida. Tragédia vem do grego “tragos” e significa bode, ou seja, viver a tragédia é estar no lugar do bode a caminho do sacrifício: o homem sem autonomia e que luta eternamente contra o destino, consciente de sua derrocada final.

Fatalista, pessimista, concepção trágica demais? Talvez. Mas, embora na vida diária seja importante acreditar que de algum modo venceremos no final, é também humanamente necessário que aceitemos nossas limitações, que encaremos o fato de que pouco na vida realmente está sob nosso controle, que viver é mesmo estar em contato permanente com essa fragilidade que somos. Então, ao contrário de cair no desencanto, encarar a tragédia na vida real ou por meio dos heróis das obras da literatura clássica, traz a ideia de que vale a pena continuar lutando contra o destino, de que essa luta por si só é a vida, e de que é pelos vitoriosos embates cotidianos que nos percebemos corajosos e aptos a enfrentar a vida com dignidade. A morte virá, é certo, mas até lá muito som e muita fúria agitará nossa sombra ambulante.

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Alice no País das Maravilhas – e nós no país dos absurdos

Escrito por Yuri Bittar, monitor do LabHum, com reflexões de todo o Laboratório de Humanidades

Lendo “Alice no País das Maravilhas” percebi que Lewis Caroll não falava de um lugar imaginário, mas na verdade se referia á sociedade em que vivia. Recorrendo á alegorias ele foi a fundo na dificuldade que as pessoas parecem ter em entender umas ás outras.

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O Idiota, de Dostoievsky

QUARTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2009

Reflexão de Yuri Bittar (monitor)

Amigos leitores. Participo de um grupo genial chamado “Laboratório de Humanidades” na UNIFESP. Este é um grupo que se reúne semanalmente para discutir a leitura de livros. O incrível é esse trabalho ser realizado em um campus tipicamente da área da saúde, e termos um grupo muito heterogêneo, que vai desde historiadores até médicos. Passando por docentes, profissionais e alunos. Atualmente estamos discutindo O Idiota, de Dostoiévski, e estas são as minhas impressões gerais dos conceitos contidos no livro, “chupando” um pouco do que os outros participantes observaram, portanto este não é um texto só meu, e sim uma construção coletiva e que pretendo agora compartilhar com mais pessoas.

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O Sentido da Vida, de Mitch Albom

QUARTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2009

Escrito por Yuri Bittar

Só podemos dar sentido á nossas vidas dedicando-nos a nossos semelhantes e a comunidade, e nos empenhando na criação de alguma coisa que tenha alcance e sentido. (Morris Schwartz)

No LabHum estamos terminando de ler o livro ``A ultima grande lição - O Sentido da Vida” de Mitch Albom. O mais engraçado é que este livro é um best-seler norte-americano, e por isso enfrentou muito preconceito do grupo, assim como aconteceu com o próprio Prof. Dante, que teve o livro indicado por um amigo, mas demorou muito tempo para lê-lo e indicá-lo para nos. E depois de tanta resistência, o livro se mostrou realmente muito bom, agradando muito uns, sendo desaprovado por outros, mas não passou indiferente para ninguém.

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Frankenstein de Mary Sheley e nossos frankensteinzinhos

Escrito por Yuri Bittar, monitor do LabHum

No Laboratório de Humanidades esta semana terminamos de ler Frankenstein, de Mary Sheley, escrito em 1817. Vou relatar aqui minha opinião sobe o livro, mas que é totalmente influenciada pelos colegas do laboratório e a eles credito a co-autoria deste artigo. A primeira coisa que precisamos esclarecer é que Frankenstein é o nome do cientista “maluco” Dr. Victor Frankenstein, o monstro não tem nome, apesar que podíamos chamá-lo de “Junior”. Aliás, a criatura do Dr. Victor, além de não ter um nome, não tem praticamente nada. Nasce já adulto, porém sem nenhum tipo de amparo, jogado á todas as dores do mundo, sentindo frio sem saber o que era o frio, que podia se aquecer, com fome sem saber que existia alimento, com sede sem saber o que era água e só, sem saber que podia procurar outras pessoas. Ou melhor, não podia, pois ele também era desprovido da aparência humana. O que ele tinha era uma aparência insuportável e ninguém podia olhar para ele sem sentir horror.

Parece que a questão primordial que o livro suscita é; quem é a vítima? Dr. Victor Frankenstein deu vida á criatura, e em seguida a abandonou á própria sorte. Ou o monstro, que matou pessoas inocentes por vingança?

Como alguém abandonado e odiado ao nascer poderia respeitar a vida dos que o desprezaram? E os nossos milhares frankensteinzinhos de rua, as milhares de crianças de rua, que apesar de não terem uma força descomunal ou uma aparência horrenda nos colocam medo? Segundo as contas mais otimistas aproximadamente 1800 crianças vivem nas ruas apenas da cidade de São Paulo. Podem ser muito mais, alguns falam em 4 mil.

O ódio. Dr. Victor odiou sua criatura ao vê-la. A criatura odiou o mundo, que a tratou da pior forma. O mundo odiou a criatura, talvez o maior monstro do cinema, dos desenhos, etc... É um livro sobre o ódio, ou sobre os perigos da ciência, a prepotência humana ou o desprezo? Tudo isso penso eu. Por isso é um livro muito atual, próximo de completar 200 anos. Seria porque o ser humano pouco mudou e continua insistindo nos mesmos erros ?

Mas os clássicos gregos também mantém a atualidade, depois de milênios. Mary Sheley escreveu um livro que se tornou referência, trazendo de volta o mito de Prometeu, que foi punido por Zeus por dar o fogo ao Homem, e podemos associá-lo também a Lucífer, decaído por não aceitar as ordens de Deus, Ícaro, que, não bastando voar, quis voar cada vez mais alto, até que o sol derreteu suas asas e ele despencou para a morte, ou ainda Adão e Eva, que descumpriram a ordem de Deus, de não comer da árvore do conhecimento e foram expulsos do paraíso, assim como Dr. Victor, que não satisfeito com a vida perfeita que tinha, criou o mostro que a destruiu, enfim, uma trama que explora os limites da atitude humana e as conseqüências das ações desmedidas, que não respeitam os limites humanos ou divinos. Um livro ótimo, que a colocou para sempre entre os grandes escritores da humanidade.

Mary Sheley não sabia, mas sua obra também pode ser comparada à criação da bomba atômica. O sonho de que a ciência traria infinitos benefícios para toda a população do mundo, acabou diante da constatação do horror que ela podia causar.

Leia mais sobre esse livro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein

Yuri Bittar

Designer, fotógrafo e Historiador

www.yuribittar.com

 

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Só um morto pode falar honestamente ?

Escrito por Yuri Bittar, monitor do LabHum

Estou lendo este clássico da literatura brasileira, que incrívelmente ainda não tinha lido. E agora entendo porque de sua importância. Ainda não o terminei, mas me parece haver uma importante reflexão sobre as amarras que nos impedem de ser honestos, até com nós mesmo.

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