Reflexão sobre o LabHum, por Erica Endo

 

Trabalho de conclusão de disciplina

O LabHum começou para mim, antes das aulas e discussões. Quando eu li no mural do Departamento de Fonoaudiologia o curso LabHum, logo me interessei. Contudo, analisando alguns ambulatórios que eu faria de 6ª.feira, seria complicado fazer parte do grupo. Nesse período, uma amiga de outro departamento enviou o email de divulgação do curso dizendo que eu tinha que passar pelo menos uma vez na vida por uma experiência no LabHum. Não hesitei e me inscrevi empolgada e ao mesmo tempo receosa pelo que viria. (Não tinha ideia da dinâmica das aulas! Sabia que seria bem diferente das aulas tradicionais da faculdade).

Eu saia diferente a cada encontro, as discussões causavam inquietações e nas pequenas situações do dia eu pensava nas atitudes das pessoas, suas histórias, personalidades e nas consequências das ações de cada um. Isso ocorreu de maneira mais intensa durante a leitura daa “Odisséia de Homero” e seus encontros, uma vez que me identifiquei pelo livro e pelo tema. Houve um dia, em que eu nomearia como O dia, no tópico dos fracassos de Ulisses-Ulisses conquista o que deseja, mas também fracassa. Tive certeza que o assunto era para mim: “os jovens não suportam o fracasso e se autodestroem”. Eu estava em período puxado, pressões acadêmicas, resultados, resultados, resultados..estava em um círculo vicioso, sem olhar adiante. Esta frase foi essencial para que eu pudesse retornar a minha essência e a não ser crítica diante dos fracassos e fragilidades, mas como é difícil! Somos levados a competir sempre no âmbito acadêmico e fora dele, infelizmente. Ulisses conquistou não só a mim, mas a muitos leitores por ser ele mesmo, sem se importar pela opinião alheia.

A frase de George Moore: “A man travels the world in search of what He needs and returns home to find it ”é a viagem de Ulisses de volta para casa. Durante a viagem, Ulisses ama e sofre por Penélope, vice e versa e não desiste de voltar para sua terra. Quantos amigos próximos precisam viajar por tempo indeterminado para se encontrar e ao voltarem, percebem que a sua casa é o melhor lugar. Muitas vezes, o ser humano precisa sair de sua zona de conforto para conhecer lugares e pessoas diferentes, pois ao regressarem encontram seu verdadeiro lugar.

As discussões sobre o livro de Dorian Gray foram mais interessantes do que a leitura em casa. Quando a leitura ficava cansativa, e em seguida eu ia para o LabHum, a motivação para retornar a leitura era maior. Na realidade, não cheguei a ler todo o livro, terminarei nas férias. Os temas abordados: beleza, experiência versus experimento e culpa foram os que mais me interessaram. A beleza por ser um assunto muito abordado e polêmico, a experiência versus experimento por ter relação pesquisador-ciência e a culpa por ser um sentimento pesado e comum na nossa realidade.

O LabHum era um momento em que eu escutava inúmeras opiniões e me desligada do cotidiano. O escutar é respeitado no LabHum, raridade no momento em que vivemos. A família, amigos, colegas, professores não escutam, não conversam e não se interessam pela ideia do outro, só se tiver algo a ganhar. Tudo esta tão superficial e instantâneo, que as pessoas acham que é normal não almoçar, não encontrar amigos para o simples conversar, entre outros exemplos. As “frases: “não tenho tempo”, ”estou com pressa” são tão usuais que já faz parte do nosso vocabulário. O LabHum é um lugar diferente com ideia e pessoas distintas discutindo e sentindo um mesmo assunto. Espero voltar ano que vem!

 

 


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