Reflexão sobre o LabHum, por Nathalia Oliveira Bortolatto

 

Trabalho de conclusão de disciplina

Foram muitas coisas que aconteceram nesse curto tempo em que estou no Laboratório. Ao iniciar minha participação, o primeiro desafio foi vencer minha lógica, que declarou impossível que uma obra repleta de sangue, em forma de poesia, complicada e escrita há muito tempo poderia me ajudar a ser uma profissional mais humana.

Eu estava certa, os ciclos de discussão que se seguiram não me tornaram mais humana, e sim mais heroína. Humana eu já era, que enxergava obstáculos ao invés de desafios, dotada de impaciência que me impedia de aproveitar o caminho almejando apenas destino final e finalmente, medrosa, sem permitir a mim mesma a entrega e o desapego necessários, apesar de antagônicos, a qualquer compromisso.

Subestimei Homero, ignorei Penélope, ri da fraqueza de Ulisses e dei muita importância aos pretendentes. Agora, entendo o heroísmo do autor e de suas personagens principais e admiro suas ações, por mais abomináveis que parecessem. Interpretar e sentir o que estava escrito, só me foi possível com o grupo que estava lá, com as idéias mais diferentes e ricas, que tornaram passagens simples em terdes inteiras de conflito interno.

Conflitos chegam ao fim e foi na paz que a desconfiança, devagar, atribulou novamente o que tinha como verdade. Homero havia me treinado, mas agora a guerra era mais obscura e traiçoeira, já que o retrato de Dorian poderia ser eu mesma.

O Retrato de Dorian Gray deixa claro que o perigo está em achar que se está confortável e a salvo, pois quando estamos assim, facilmente aceitamos quaisquer sugestões, retornamos ao início – estáticos – mesmo após a transformação que Homero nos proporciona. Vi-me novamente cega em minhas próprias obsessões egoístas, questionando sobre o certo, o perfeito e o temível belo.

Sendo assim, LabHum contribuiu para o surgimento de mais uma profissional (super)humana. O ideal não é inerte, nem são meus pacientes. Vendo dessa forma, minha relação com eles também não é rígida, assim como uma paisagem se modifica com o ponto de vista, eu não sou uma profissional, e sim uma pessoa que teve em um curto espaço de tempo suas capacidades de crítica, observação e adaptação realçadas, possuindo agora mais ferramentas para lidar com desafios.

Agir ou esperar em seu devido tempo, o equilíbrio entre a suavidade e a firmeza, adaptar-se e a prontidão de desfazer-se para se reconstruir a todo tempo e a resiliência são aspectos marcados em mim e que tem impacto ao meu redor seja em minha carreira, como em meus planos futuros.

 

 


Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde - CEHFI
Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Ministério da Educação

Rua Loefgreen 2032, Vila Clementino, São Paulo, SP.

Fones: 55-11-55764848 ramal 2533 / 55-11-5084-8582