V Colóquio Internacional de Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde


(ver cartaz ampliado)

14 de Novembro de 2017

Neste ano o Colóquio será uma parceria com o XI Congresso Internacional de Acompanhamento Terapêutico e XII Congresso Ibero-americano de Acompanhamento Terapêutico.

Inscrições: esgotadas

No âmbito do histórico de desenvolvimento da linha de pesquisa mencionado, foram já realizados quatro Colóquios Internacionais em: 2011, 2013, 2014 e 2015. Tais eventos contaram sempre com a presença de convidados internacionais e nacionais e cada um deles foi assistido por um público de mais de 250 pessoas, das mais diversas instituições e regiões do país, tendo possibilitado, em geral, um aprofundamento da discussão dos principais referenciais teóricos levantados e discutidos nos projetos regulares, já que tanto os convidados nacionais quanto os internacionais que se apresentaram nos eventos, eram autores de trabalhos que serviram como referências essenciais na fundamentação teórica do projeto de pesquisa assim como na discussão sobre humanização em geral.

Durante os encontros, temas como a relação entre humanidades e ciências humanas, o papel das artes como meio de promover a formação humanística e a humanização, o papel da filosofia e das humanidades numa civilização da técnica e outros, suscitaram reflexões de grande profundidade e utilidade, fortalecendo os pressupostos teóricos da linha de pesquisa e contribuindo, particularmente, para o desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado, vinculados aos projetos regulares.

Os Colóquios também possibilitam o aprofundamento e ampliação da reflexão sobre a prática experimental e a troca de experiências educacionais. Neste sentido, a experiência do Laboratório de Humanidades do CeHFi-EPM-UNIFESP foi apresentada e discutida com os participantes do colóquio e com o público em geral, assim como experiências semelhantes que estão sendo desenvolvidas em outras escolas  e universidades, em nível nacional e internacional, como o caso da FMUSP, das Faculdades de Medicina das Universidades de Madrid e Zaragoza na Espanha e do Center of Humanities and Health do King’s College London (CHH-KCL), na Inglaterra. Tal apresentação e troca de experiências têm possibilitado a ampliação e o aprofundamento da reflexão crítica sobre essas práticas formativas e, de maneira particular, a do Laboratório de Humanidades, um dos objetos centrais de estudo do projeto “Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde”.

Assim, promover um evento de caráter internacional, mobilizando pesquisadores de universidades e centros de pesquisa do Brasil e de outros países que vêm se debruçando sobre esse tema, apresenta-se como uma oportunidade ímpar para a promoção e difusão desta temática num âmbito mais ampliado.

Para a atual versão do Colóquio Internacional, contando com o objetivo de promover a reflexão e discussão sobre o tema das narrativas médicas, buscar-se-á não apenas consolidar e ampliar os objetivos que já estavam delineados desde a sua primeira versão, como procurar-se-á valorizar a discussão sobre tais narrativas médicas (medical narratives), termo cunhado pela Profa. Rita Charon, da Faculdade de Medicina da Columbia University, NY, considerada a maior autoridade mundial neste tema, que virá ao Brasil pela primeira vez. Apoiada por uma vasta bibliografia, o tema das Medical Narratives tem suscitado a atenção de um crescente grupo de pesquisadores, tanto oriundos do campo médico e da saúde em geral, como das ciências humanas interessado pelo estudo das narrativas numa perspectiva interdisciplinar.

Além da Profa. Rita Charon, a maior autoridade mundial neste campo, contaremos com a presença da Profa. Isabel Fernandes, da Universidade de Lisboa, uma das mais importantes pioneiras dessa temática no contexto europeu. Portanto, a experiência de ambas nos ajudará a estabelecer uma ampla discussão sobre as diversas dimensões da disseminação desta temática não apenas nas Américas, como também na Europa.

Além destes conferencistas internacionais, o V Colóquio Internacional Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde contará com a presença de outros especialistas nacionais, conforme é possível verificar na programação do evento.

Programação preliminar 2017:

LOCAL: Anfiteatro Marcos Lindenberg

 

  • 08:00 – 08:30: Credenciamento

  • 08:30 – 09:00: Plenária de Abertura do Colóquio
    Prof. Dr. Emilia Inoue Sato - Diretor da Escola Paulista de Medicina – EMP/ Unifesp
    Prof. Dr. Dante Marcello Claramonte Gallian – Diretor do CeHFi/ EPM/ Unifesp

  • 09:30 – 11.00: Conferência: Medical Narratives: History and Perspectives
    Prof. PhD Rita Charon – Columbia University (NY – EUA)

  • 11:00 – 11:30: Coffee Break

  • 11:30 – 13:00: Conferência: O Campo Interdisciplinar das Narrativas Médicas
    Profa. Dra. Isabel Fernandes – Universidade de Lisboa (Portugal)

  • 13:00 – 14:00: Almoço

  • 14:00 – 16:00: Mesa Redonda: Medical Narratives: the construction of a Field of knowledge
    Prof. PhD Rita Charon – Columbia University (NY – EUA)
    Profa. Dra. Isabel Fernandes – Universidade de Lisboa (Portugal)
    Prof. Dr. Pablo González Blasco – SOBRAMFA – CFM
    Profa. Dra. Maria Auxliadora Craice de Benedetto – SOBRAMFA – CeHFi- EPM

  • 16:00 – 16:15: Coffee Break

  • 16:15 – 17:15: Plenária Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde e sua Articulação com o Campo do Acompanhamento Terapêutico.
    Prof Dr. Dante Marcello Claramonte Gallian - CeHFi/ EPM/ Unifesp
    Prof. Dra. Maria Silvia Logatti – Doutoranda CeHFi/ EPM/ Unifesp  e professora Uninove

 

Linha de pesquisa “Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde”

Realizados anualmente, desde 2011, sempre com o apoio da FAPESP, os Colóquios Internacionais de Humanidades e Humanização em Saúde do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi) da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) já se configuram como um dos elementos mais importantes para a consolidação e desenvolvimento da linha de pesquisa “Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde”.
Tal linha, iniciada há pouco mais de cinco anos, deriva, em grande medida, pelas discussões sobre o tema da humanização em saúde e, também, pelos interessantes desdobramentos, de uma experiência formativa desenvolvida no âmbito da Escola Paulista de Medicina. Essa experiência é fundamentada na leitura e discussão de obras clássicas da literatura universal e foi denominada Laboratório de Humanidades. A partir disso, foi elaborado um projeto de pesquisa intitulado “As Patologias da Modernidade e os Remédios das Humanidades: investigação e experimentação”, que pretendeu problematizar os pressupostos teórico-filosóficos que fundamentam as políticas e programas de humanização propondo uma abordagem em duas vertentes: a) uma análise “arqueológica” dos conceitos de humanismo em que se propôs investigar as diversas concepções antropológicas produzidas na Modernidade que determinaram as diferentes perspectivas da humanização; b) uma investigação acerca do papel das Humanidades enquanto meio de humanização efetiva no âmbito da saúde, a partir da análise qualitativa de uma experiência educacional concreta: o Laboratório de Humanidades.
Na confluência entre a investigação e a experimentação, o projeto procurou compreender em que medida a desumanização pode ser vista como “sintoma patológico” da Modernidade e, ao mesmo tempo, até que ponto a experiência das Humanidades pode ser apresentada como um “remédio” ou caminho de humanização no âmbito da saúde.
Respondendo aos objetivos específicos e resultados esperados delineados no mesmo projeto, foi possível também estruturar uma verdadeira rede de pesquisa, envolvendo colaboradores nacionais e internacionais, que redundou na organização e realização dos três primeiros colóquios internacionais sobre o tema “Humanidades e Humanização em Saúde”.
Paralelamente a todo esse trabalho e realizações no âmbito temático abarcado pelo projeto “Patologias da Modernidade e Remédios das Humanidades”, outra linha de pesquisa esteve também em pleno desenvolvimento no CeHFi: o da História Oral e Narrativas em Saúde, que foi iniciada em 2007, a partir de um grande e importante projeto de pesquisa, “75X75: 75 histórias de vida para contar os 75 anos da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP”.
Estruturada, no início, a partir de trabalhos de pesquisa que propunham a abordagem da História Oral como meio de resgatar a história e a memória de saberes, instituições e práticas na área da saúde, muito rapidamente, entretanto, a linha se ampliou, congregando trabalhos que, através desta metodologia, visavam resgatar e compreender a experiência subjetiva dos sujeitos envolvidos no processo saúde-doença: pacientes, profissionais da saúde, familiares de pacientes, educadores, pesquisadores.
Assim, no delineamento dos objetivos e dos referenciais teóricos desses novos projetos, foi-se configurando uma aproximação cada vez maior com os temas e abordagens da linha de pesquisa “Humanidades e Humanização em Saúde”.
Concomitantemente, o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa vinculados ao projeto “Patologias da Modernidade e Remédios das Humanidades”, justamente por buscarem compreender os fenômenos da desumanização e da humanização a partir das vivências dos sujeitos envolvidos nos diferentes processos, passaram a se utilizar das narrativas e da História Oral de Vida como abordagem metodológica preferencial e a partir do segundo semestre de 2013, os dois grupos de estudo, que vinham, até então, trabalhando separadamente, foram unificados, assim como as duas linhas de pesquisa correspondentes.
Desde então, algumas ideias e conceitos que ainda estavam latentes no projeto regular “Patologias e Remédios” passaram a se apresentar como elementos chave nesta nova fase do grupo de pesquisa, destacando-se, particularmente a noção de narrativa e seu conceito, que emergiu então, como denominador comum e elemento de unificação.
Partindo da perspectiva de autores como Paul Ricouer, que entende narrativa como um “modo de expressão do caráter temporal da experiência humana” e de Roland Barthes que aponta para o seu caráter “amplo e transcendente”, ou seja, para além da literatura e da história, pôde-se observar como, tanto os projetos que se centravam na temática da literatura como meio de humanização, quanto os que partiam da metodologia da História Oral de Vida como meio de produzir fontes sobre a experiência subjetiva de pacientes e profissionais da saúde, todos estavam trabalhando a partir do mesmo elemento essencial: a narrativa. Portanto, nesta nova fase de nosso trabalho, começamos a vislumbrar com clareza a linha ou caminho de ligação entre ambos: o das Narrativas – sejam elas “ficcionais” ou “verdadeiras”, orais ou escritas, científicas ou artísticas, verbais ou não-verbais.
Assim, a realização de eventos como o Colóquio Internacional de Humanidades e Humanização em Saúde, apresenta-se como um dos recursos mais significativos desta linha de pesquisa.
 


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