O Apanhador no Campo de Centeio, por Mariah Ferreira Indiani

Quando fiz a primeira leitura do livro ''O Apanhador no Campo de Centeio'', de J. D. Salinger, percebi um adolescente incompreendido pelos outros e até por ele mesmo; Holden estava em busca de algo que nem ele próprio sabia o que era e de alguém pra conversar sobre isso.

 

Diante dessa leitura fui ao primeiro encontro do LabHum e percebi que a primeira interpretação de cada um foi bem diferente: alguns, influenciados pelo livro do ciclo anterior, acharam este um pouco "morno", outros consideraram Holden um adolescente irritante, que não sabe o que quer da vida, e muito imaturo, no entanto também havia pessoas ali que se identificaram com o personagem, como eu, ou que ao menos enxergaram nele uma criticidade em relação à superficialidade e hipocrisia das pessoas, algo bastante maduro pra um garoto de 17 anos.

A partir dos demais encontros, no nosso itinerário de leitura, o grupo foi espontaneamente compreendendo melhor os sentimentos e necessidades do "nosso personagem" e se identificado ou se encantando de alguma forma com suas observações a respeito dos comportamentos humanos e da nossa forma de nos relacionarmos com os demais.

Sobre o tema/objetivo desse ciclo do LabHum - "a busca da identidade" - acredito que não poderia ter sido escolhida melhor obra do que esta. Ficamos, ao fim do nosso itinerário, com o questionamento sobre o que Holden procurava ao longo de sua odisseia de 3 dias; o amor (no sentido mais amplo possível), o humano (nele e nos outros), a compreensão das suas inquietudes e "diferenças" em relação aos outros...? Enfim, sua própria identidade humana!

Pensando juntos, em certo momento, sobre qual a origem, o despertar, de todo esse turbilhão de dúvidas e sentimentos que acometeram o personagem e o levaram às mais inusitadas situações, uma fala do professor Dante (da qual as palavras não me recordo exatamente) ficou, para mim, como direcionamento à máxima problematização da questão: será possível atingirmos o profundo entendimento da nossa identidade e das nossas Razões, acima de tudo, a partir da lógica do Outro, com a qual nem sequer concordamos? A retórica baseia-se no conceito de sistemas de pensamento, e sua utilidade consiste em um caminho para a nossa Busca pessoal.

Sei que é difícil ou quase impossível saber o que de fato um ser humano sente de verdade, mas através das conversas fui me convencendo de que não era apenas eu que me identificava com o protagonista do livro e foi através dos nossos encontros que percebi o porquê desse livro ter se tornado um clássico mundial e não só isso, percebi o porquê desse livro continuar sendo uma obra tão atual. Simplesmente porque em qualquer época foi e será sempre atual falar sobre a Humanidade, nossos sentimentos mais íntimos, inquietações e máscaras sociais!

 


Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde - CEHFI
Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Ministério da Educação

Rua Loefgreen 2032, Vila Clementino, São Paulo, SP.

Fones: 55-11-55764848 ramal 2533 / 55-11-5084-8582