Itinerário de Discussão - Anna Kariênina

TOLSTOI, Anna Kariênina. Trad. Rubens Figueiredo, São Paulo, Cosacnaify, 2005.

Parte I

•        Pensar na frase: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz à sua maneira.” (17)

•        Como explicar o “drama” de Oblónski: “E o mais terrível é que o culpado de tudo sou eu, sou eu o culpado, mas não tenho culpa. Nisto está todo o drama”? (18)

•        O que pensar da “filosofia de vida” de Oblónski: “... é preciso viver conforme as necessidades de cada dia, noutras palavras, deixar-se levar. (...) deixar-se levar pelo sonho da vida”? (18-19)

•        O que nos lembra esta descrição de Oblónski: “Stiepan Arcádich não escolhia nem as tendências nem as opiniões, eram antes as tendências e opiniões que vinham a ele, assim como não escolhia o modelo do chapéu ou da sobrecasaca, mas adotava o que os outros vestiam”? (22)

•        Qual o segredo para o sucesso de Oblónski? Ver p. 30.

•        E sobre Liévin, o que se pode dizer sobre ele? E a respeito de seu amor por Kitty: ver p. 42, cap. IX.

•        Como interpretar o medo da “mundanidade” de Liévin? Ver o episódio do restaurante com Oblónski no cap. X, pp. 47 e ss.

•        Retomar a discussão entre Liévin e Oblónski sobre os costumes no campo e na cidade. Quem terá razão? Será o propósito da educação, como defende Oblónski, “fazer de tudo um prazer”? Ver p. 50.

•        Reler e meditar no que Liévin diz a respeito do amor: “Não se trata de um sentimento meu, mas de uma força exterior que se apoderou de mim.” (52)

•        E, na sequência a discussão sobre “os dois amores” do Banquete de Platão (p. 55)... Reler e meditar.

•        E como pensar a questão da “rivalidade” entre Oblónski e Vrónski? Ver p. 63.

•        Quais as reais intenções de Vrónski em relação a Kitty? Ver p.69

•        Como se explica a paixão entre Vrónski e Anna a partir do primeiro encontro na estação de trem de Moscou? Cap. XVIII; p. 73 e ss.

•        O que “havia de horrível e de cruel” no encanto de Anna no baile? (93)

•        Como explicar Nikolai, irmão de Liévin? “Não terá ele razão ao afirmar que tudo no mundo é ruim e sórdido?” (p. 94) cap. XXIV

•        Como interpretar o pensamento de Liévin de “que não era preciso sujeitar-se ao passado e que cada um podia fazer de si o que bem entendia”? (103)

•        O que mudou em Anna depois do baile que até as crianças (os filhos de Dolly) perceberam? Quais são os skeletons que ela traz guardados na alma? (106)

•        Como interpretar o que está acontecendo com Anna no trem de volta para São Petersburgo? Cap. XXIX; p. 108 e ss.

•        Por que Anna se assusta ao ver as orelhas do marido ao chegar em São Petersburgo? (112) E a decepção em relação ao filho? (115) Como explicar?

•        Como compreender Aleksei Aleksándrovitch Kariénin, cujo lema era “sem pressa e sem descanso”? Cap. XXXIII, p. 117 e ss.

Parte II

- Porque só o príncipe Cherbátski compreende bem o motivo da doença de Kitty (a de coração partido)? (128-9)

- Como e porque se reconfiguram os papeis de Vronski e Anna depois da eclosão do caso? ver pp.136-7

- O que vem a ser a questão da ?sombra da mulher? que se comenta numa dessas reuniões da alta sociedade? Ver p. 144.

- Como v. se sente frente à discussão sobre o amor e sobre o casamento por conveniência, na p. 146?

- Pensar um pouco no trecho em que Aleksiei Aleksándrovitch começa a considerar a possibilidade de estar sendo traído (p. 151). O que isso revela da personalidade dessa personagem?

- Meditar sobre o trecho: ?Pela primeira ver, concebeu com clareza a vida pessoal da esposa, seus pensamentos, seus desejos, e a idéia de que ela podia e devia ter uma vida própria lhe pareceu tão assustadora que tratou de rechaçá-la às pressas.? (152) E ver a forma como Kariênin ?resolve? a questão...

- Por que justamente no momento em que o amor entre Anna e Vrónski se consuma, o sentimento humilhante da culpa também aparece? Ver pp. 157-8

- Qual papel desempenha Iachvin para Vronski? Porque será que Tolstói o insere na trama? Ver. 183 e ss.

- E o pobre filho de Anna no meio disso tudo? Reler os trechos da p. 191. A bússola que indica que os navegadores estão à deriva.

- E o desastre com a égua Fru-Fru na corrida de cavalos; o que há de simbólico nisso? Ver p. 205

- Voltando a Kariênin: a tentativa de tapar o sol com a peneira e não permitir que a coisa cresça... Ver. pp. 205 e ss.

- E o julgamento de Anna sobre seu marido; são justas? ?Só ambição, só desejo de vencer ? eis tudo o que há em sua alma, mas as motivações elevadas, o amor ao conhecimento, a religião, tudo isso são apenas instrumentos para alcançar o êxito.? (211) Ver também p. 212.

- O que se passa com Kitty em sua estação de águas e em particular ao conhecer Varienka? O que esta experiência ensina a Kitty?

- Ver, em relação a esse processo, a ?revolta? de Kitty contra Varienka: ?Não posso viver senão segundo o meu coração, mas a senhorita vive em obediência a princípios? (237)

- Por fim, eis uma grande questão desta segunda parte da novela: pode-se ser o que se quer? É possível isso? Ver a conclusão de Kitty na p. 238.

Parte III

- A terceira parte da novela começa com o encontro Liévin e seu irmão Serguei Ivánovitch Kóznichev, que permite a Tolstói confrontar duas visões sobre o mundo e a sociedade de forma bastante interessante. O tema em questão é sobre os camponeses, mas efetivamente o que é que está em jogo aqui? (ver pp. 241 e ss.)

- Como ficamos diante da questão levantada no debate entre os dois irmãos sobre bem comum X interesse pessoal? Ver p. 250

- O que Tolstói nos ensina através da experiência de Liévin no trabalho árduo da lavoura? ?Em seu trabalho, começou a se verificar um transformação que lhe proporcionava um imenso prazer. Em meio à sua faina, ocorriam minutos em que ele esquecia o que estava fazendo, tudo se tornava fácil nesses minutos... Porém, tão logo se lembrava do que fazia e se esforçava para fazer melhor, voltava a sentir todo o peso do trabalho e a fileira ficava mal cortada.? (p. 254. Ver também pp. 255 e 256). E também p. 260, onde ele fala da Arbeitscur, a cura pelo trabalho.

- E o que dizer da vida de Dária Aleksándrovna, Dolly, para quem cuidar de seus seis filhos era ?a única felicidade possível?? (Ver p. 264 e ss.) O que pensar de suas idéias a respeito da educação dos filhos?  ?Aprender o francês e desaprender a sinceridade.? (274)

- Proponho voltar a A. Kariênin e ver como ele está lidando com a situação entre Anna Vronski e a carta que escreve manifestando a sua decisão (pp. 285-6). O que esta carta revela sobre ele? Também reler o parágrafo seguinte (p. 286), onde se revela muito sobre sua personalidade.

- Ver a opinião de Anna sobre seu marido na p. 293. É possível concordar com ela?

- Por que Anna que odiava a mentira, começa não só a mentir como que também a gostar da mentira?  Ver p. 296 último Parágrafo e ss.

- E a solução apontada por Betsy a Anna? Por que Anna insiste em ver as coisas de forma tão trágica? Ver p. 298 e 299.

- Retomar o interessante diálogo entre Vronski e seu amigo Petrítski Serpukhóvskoi no cap. XXI que leva Vrónski a pensar também sobre sua situação. O que pensar desta opinião: ?As mulheres são o principal obstáculo para a atividade de um homem. É difícil amar uma mulher e fazer o que quer que seja. Para isso, só existe um meio de amar com comodidade e sem empecilhos: o casamento?(312)

- Interessante o que Tolstói levanta através do episódio da visita de Liévin ao seu amigo proprietário de terras. A questão do pensar por conta própria. Ver p. 330 e 332

- O que pensar da decisão de Liévin de mudar toda a forma de organização do trabalho em sua propriedade? O que ele está buscando com isso? (ver, principalmente, pp. 336/7; 340; 342

- Esta terceira parte termina com o encontro de Liévin com o outro irmão, Nikolai, dando a Tolstói a oportunidade de levantar um outro tema que lhe era muito caro e que é muito difícil porém essencial: o tema da morte. Rever principalmente p. 345 e ss. É possível enfrentar esse tema com o ?peito aberto?, sem mentiras ou hipocrisias, seja com os outros, seja consigo mesmo?

Parte IV

- A parte 4 começa enfocando a incômoda e torturante situação em que se encontram Anna, Vrónski e Kariênin. Tolstói nos brinda, entretanto, com um episódio muito divertido e significativo logo no primeiro capítulo: a visita de um príncipe estrangeiro a quem Vrónski tinha de acompanhar pela Rússia. Essa missão deixou Vrónski particularmente irritado pois via neste príncipe frívolo uma imagem de si mesmo (ver p. 355). Não é verdade que nos irritamos quando alguém nos revela nossa própria imagem que não gostamos de ver?

- Também nesta parte Tolstói mostra de que forma a relação entre Anna e Vrónski começa a se deteriorar, em função do ciúmes. Ler p. 358. E agora, qual rumo tomar?

- No capítulo V, pag. 366 pode-se ler: ?Os olhos cinzentos do advogado esforçavam-se para não rir, mas saltavam com uma alegria incontrolável e Aleksei Aleksándrovitch percebeu que ali havia não apenas a alegria de um homem que recebe uma incumbência lucrativa ? havia ali triunfo e êxtase, havia um brilho semelhante ao brilho funesto que via nos olhos da esposa.? Que tipo de alegria é esta? Que tipo de brilho funesto é este?

- No capítulo VI, pag. 369 encontra-se esta pérola tolstoiana: ?Para todos os quesitos, foram redigidas respostas de forma admirável, e respostas que não deixavam margem a nenhuma dúvida, pois não eram produto do pensamento humano, sempre sujeito a erros, mas sim produto da atividade do serviço público. (...) ...questões que, fora das comodidades da máquina do serviço público, não encontram solução e não podem ter solução nem mesmo em séculos, ganharam soluções claras e incontestáveis.?  Pensar na atualidade desta afirmação!

- Esta parte do livro trata também da reaproximação entre Liévin e Kitty, que vai culminar no pedido de casamento e na explosão de felicidade que atinge o casal. É interessante analisar mais detidamente o ?estado de espírito? de Liévin; eis uma outra maneira de manifestação da paixão, parecida mas ao mesmo tempo diferente de como se manifestou em Anna e Vrónski. Por que será?

- O que ocorre com Liévin nos capítulos XII, XIII e ss.? Por que ele começa a ver tudo de outra forma? ?O admirável para Liévin era que, nesse dia, ele conseguia enxergar através daquelas pessoas e, por pequenos sinais, antes despercebidos, chegava a conhecer a alma de cada um deles e via claramente que todos eram bondosos.? (397)

- E como interpretar a transformação de Aleksei Aleksándrovitch diante da iminência da morte de Anna? No começo ele confessa ter desejado a morte da esposa, mas depois algo diferente começa a acontecer... E Anna, porque na iminência da morte manda chamar seu esposo?

- Porque neste transe, a beatitude de Aleksei Aleksándrovitch cresce na mesma medida de sua perturbação?

- E como interpretar a ?hora e a vez? de Vrónski? Ver cap. XVIII

- No Capítulo XIX nos deparamos com o dilema de Aleksei Aleksándrovitch após sua ?conversão?: ?Sentia que, além da boa força espiritual que guiava sua alma, existia uma outra, igual ou ainda maior, uma força imperiosa que guiava a sua vida, e ele sentia que essa força não lhe traria a serenidade resignada que almejava.? (414) Não é o dilema de ?ser ou não ser??

- O que representa o bebê para Aleksei Aleksándrovitch?

- E os sentimentos de Anna em relação ao marido depois que ela se recupera; como explicá-los?

- Será que é possível lutar contra essa ?poderosa força vulgar, que guiava a sua vida (de Kariênin) e à qual ele teria de submeter-se??

- Esta parte termina com o ?retorno de Vronski?,  cuja vida, depois do incidente ?entrou de novo nos mesmos trilhos de antes. Via a possibilidade de encarar os outros, sem ter vergonha, e já podia viver orientando-se pelas suas normas?, como diz Tolstói (p. 427). Tanto é assim que continua não entendendo nada: ?Vrónski não conseguia entender como ela podia, nesse momento do encontro, pensar no filho, no divorcio, e lembrar-se disso. Acaso tinha alguma importância?? (429). E então, tinha alguma importância afinal?

Parte V

- A parte V inicia-se com a descrição da expansão de felicidade de Liévin nas vésperas de seu casamento com Kitty. Ele se dispõe a tudo por amor a Kitty e esta, por sua vez, a mesma coisa por causa de Liévin. Seria o amor nessa fase uma espécie de ?droga? ou ?embriaguês? que possibilita que as pessoas abandonem sua vontade própria e se comprometam irremediavelmente por toda a vida?

- Como se posicionar diante do dilema de Liévin frente à religião? ?... Liévin, assim como a maioria de seus contemporâneos, se encontrava na situação mais indefinida possível. Não conseguia acreditar e, ao mesmo tempo, não estava firmemente convencido de que tudo aquilo era injusto.? (p. 435)

- E o que dizer da confissão de Liévin e o diálogo com o Padre nas pp. 336-7?

- Um pouco mais adiante encontramos uma conversa muito interessante sobre o casamento. Como é possível estar contente por perder a liberdade? Ver cap. II pp. 438-9. E o que dizer desse pensamento de Liévin: ?Liberdade? Liberdade para quê? A felicidade está apenas em amar e desejar, pensar com os desejos dela e com os pensamentos dela, ou seja, não ter nenhuma liberdade ? isto é a felicidade!? (440)

- Interessante também as razões dadas por Kitty para convencê-lo de seu amor por ele: ver p. 441. Quais são as verdadeiras razões do amor?

- E a nova situação de Anna e Vrónski em viagem pela Itália; como interpretá-la?

- Como pode Anna sentir-se feliz depois de tudo o que aconteceu? Ver início do cap. VIII, p. 457 e ss. Tolstói diz que ela se sentia ?imperdoavelmente feliz e repleta de alegria de viver?.

- Já Vrónski... ?Vrónski, por sua vez, apesar da plena realização daquilo que tanto havia desejado, não era inteiramente feliz. Logo se deu conta de que a realização de seus desejos lhe proporcionava apenas um grão de areia da montanha de felicidade que havia esperado. Tal realização revelara a ele o eterno engano cometido pelas pessoas que imaginam alcançar a felicidade por meio da realização dos desejos.? (pp. 458-9; grifo meu). Isso merece um profunda reflexão. Se a realização dos desejos não pode trazer felicidade então o que pode?!

- Outro ponto que exige, mais uma vez, uma reflexão profunda é a imagem que Tolstói nos brinda no início do capítulo XIV (p. 472 e 4673), ao descrever os primeiros meses de casamento de Liévin: a do barquinho no lago plácido... Como é essa coisa do amor exigir esforço, trabalho?

- Como interpretar o desejo de Kitty de querer acompanhar Liévin para assistir o irmão moribundo?

- Interessante notar que o capítulo XX desta parte é o único do livro que tem um título: por que será?

- Na luta desesperada do moribundo, chama a atenção e intriga Liévin a expressão de Nikolai: ?É isso!? ?Sentia que, apesar de todo o seu esforço de pensamento, [Liévin] não conseguia compreender o que significava ?é isso?.? E nós, conseguimos compreender? O que é esse ?é isso!??

- E Aleksei Aleksándrovitch? Como interpretar sua ?conversão?; tão marcada pela tristeza e pelo sentimento de solidão?

- E o que dizer das relações entre pai e filho (Serioja) e os princípios pedagógicos tão distantes do mundo interior do menino? Ver a ?luta? entre o menino e os educadores (muito interessante) na p. 517.

- E o que dizer do encontro entre Anna e o filho? ...

- A parte V termina com a nova condição da relação entre Anna e Vrónski depois de sua volta a Petersburgo. O que está acontecendo com o amor entre ambos?

 


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