Home O que é História Oral de Vida? Procedimentos e ética em História Oral
Procedimentos e ética em História Oral PDF Imprimir E-mail
O Projeto BMHV


 PROCEDIMENTOS E ÉTICA EM HISTÓRIA ORAL

Para se delinear um Projeto de história oral implica pensar em uma série de procedimentos que se delineiam em cinco momentos principais para sua execução:
        1) elaboração do projeto;
        2) gravação;
        3) estabelecimento do documento escrito: Transcrição; Textualização e Transcriação;
        4) interpretação;
        5) arquivamento, e
        6) devolução social.

1-    O momento da elaboração do projeto é definidor dos critérios de procedimento, inclusive se a proposta for de constituição de um banco de dados. É nessa fase que definimos objetivos da pesquisa e determinamos o que constituirá o documento em história oral: a gravação ou o texto aprovado pelo colaborador. O projeto, também, prevê quais os usos que serão feitos das entrevistas e as formas de arquivamento e divulgação das mesmas

2-    O instante da gravação é fundamental por ser o tempo da primeira atitude de materialização do processo inicial do projeto. É o momento da Entrevista propriamente dita, onde ocorre o diálogo que originará o texto final transcriado, que deverá ser aprovado e autorizado pelo colaborador.

3-    Esse é o momento da passagem do oral (a gravação) para o escrito (texto da entrevista autorizada pelo colaborador). Alguns projetos optam por utilizarem trechos da transcrição literal. No nosso caso realizamos um processo que, aliado as questões éticas que regem essa prática de se fazer História Oral, se diferenciam dos demais “modos” de se constituir entrevistas de Histórias de Vida.  Os cuidados da transposição de um estado da palavra – oral – para outro – escrito – são necessários e nós os realizamos em quatro etapas:
a)    Transcrição: passagem literal do oral para o escrito
b)    Textualização: momento em que transliteramos a fala do colaborador, incluímos a fala do entrevistado num processo dialógico e textual, na fala do colaborador, deixando o texto fluido e  na primeira pessoa.
c)    Transcriação: momento em que ocorre a “teatralização do discurso”, onde incluímos através de uma linguagem “quase literária” as emoções, o choro, a ironia, os silêncios
d)    A conferência e a autorização: momento em que voltamos com o texto final da entrevista transcriada para ser lido e aprovado pelo colaborador. Somente depois dessa etapa estamos autorizados a divulgar as narrativas.

4-    Alguns projetos, especialmente, os que possuem finalidade acadêmica, enxergam esse momento como fundamental. É nessa etapa que o oralista, o pesquisador interpreta, analisa o corpus documental gerado pelo projeto de História Oral.

5-    Essa fase diz respeito à responsabilidade na manutenção do corpus documental constituído em processo de entrevista. O banco de histórias de Vida é uma das possíveis maneiras de se manter o acervo e, também, de torná-lo acessível ao maior número de pessoas possíveis.

6-    Nesse momento devemos prever o retorno ao grupo que proporcionou as entrevisas. Seja em forma de livro, exposição ou mesmo de doação dos documentos confeccionados, a devolução é fundamental para garantir o respeito aos compromissos éticos assumidos ao longo do desenvolvimento da pesquisa.

Conceitos Fundamentais
- Colaborador: “Colaborador e colaboração não equivalem a informante e informação. Para a história oral, o resultado da colaboração e o sentido do colaborador em um projeto não se restringem às referências exatas de datas e fatos. Colaboradores são seres que ao narrar modulam expressões e subjetividades e a transparência disso é relevante aos exames decorrentes do texto estabelecido em análise com os demais.”
(Meihy; Holanda: 2008)

- Transcriação: “... a fase final do trabalho dos discursos. (...) Teatralizando-se o que foi dito, recriando-se a atmosfera da entrevista, procura-se trazer ao leitor o mundo de sensações provocadas pelo contato, e como é evidente, isso não ocorreria reproduzindo-se o que foi dito palavra por palavra. (...) tem como fito trazer ao leitor a aura do momento da gravação. (...) O fazer do novo texto permite que se pense a entrevista como algo ficcional e, sem constrangimento, se aceita essa condição no lugar de uma cientificidade que seria mais postiça. Com isso, valoriza-se a narrativa enquanto um elemento comunicativo prenhe de sugestões. (...) Nesse procedimento, uma atitude se torna vital: a legitimação das entrevistas por parte dos depoentes.”
(Meihy: 1991; 30-1)

- Conferência e Autorização para uso das entrevistas: Os cuidados éticos são fundamentais em história oral. É importantíssimo deixar claro que nada será divulgado sem a prévia autorização do entrevistado. A conferência garante a realização do trabalho em colaboração, pois o texto que utilizaremos será aquele que o entrevistado se reconhecer nele, é o momento em que legitimamos o processo de transposição do oral para o escrito. Todo texto autorizado deve ser acompanhado de uma carta de cessão com especificações sobre seu uso pleno ou relativo.

 
 

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